31 março 2011

Onze de Fevereiro .

 Eu vi os teus olhos brilhar como se tivesses quase a explodir de sofrimento, enquanto isso metes mais uma colher de sopa à boca, olho para o telemovel tentando disfarçar que não vejo que estás mal, continuas com os olhos cheios de água como um vulcão que está prestes a rebentar, empurras a malga despresando o jantar e apoias a cabeça na mão, senti um aperto enorme no coração enquanto disfarçava receber mensagens. Olhei para ti uma outra vez e começas a chorar, fiquei sem reacçao eu sabia porque choravas, sabia tão bem, estavas a sofrer por saudade, saudade eterna, olhei para a tia e pedi-lhe ajuda sem falar, apenas apontei com o indicador o que se estava a passar, ela pediu-te calma e que explicasses o porque de estares a chorar, eu sabia bem, era o dia do teu aniversario e o melhor presente que a vida te deu partiu para um mundo melhor. Senti a falta dele e senti triseza por te ver naquele estado, chorando à mesa olhando para o lugar onde ele costumava jantar abanando a cabeça, escondes a cara enquanto a tia pergunta-te dezenas de vezes o que se passava contigo, hesitas em responder, mas acabas por responder: "a vida tirou-me o melhor, tirou-me a vontade e o homem com quem vivi...." e a frase fica por dizer no meio de tanto choro, e eu disse com algum receio num tom de voz fraco: "tem calma.."; eu tinha muito a dizer para te acalmar para apaziguar o teu sofrimeno mas... era tudo palavras soltas, não iriam ajudar apenas ias chorar mais e mais. Pedi para ires descansar, foste e eu fui contigo até à cama deitaste e disse (pedi) : " Tem força avó " Pedi muito eu sei, mas é o que eu peço todos os dias antes de ir descançar, peço que tenhas força, muita força... 


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